Tuesday, May 09, 2006

Caros todos:

Após um interregno de alguns meses, sinto-me finalmente em condições de escrever uma crónica. Obviamente, destavez o conteúdo deverá ser extenso, devido à grande quantidade de coisas que aconteceram. Tentarei fazer justiça a todos os acontecimentos.

*O último mês de trabalho do Mestrado...
...foi bastante coplicado e duro. Entre correr e corrigir o programa, tentando obter resultados, escrever o relatório de tese, confirmar idas, papeis e documentos a paresentar, tentar encontrar casa (sem sucesso)e tentando ter paciência para as várias burocracias pelas quais tinha de passar, este mês não foi muito agradável,mas não foi muito mal, pois tinha a certeza que, indpendentemente do que acontecesse, o mestrado estava a chegar-se a uma conclusão.

*Bruxelas e as apresentações da EUREC
As apresentações do mestrado europeu de energias renováveis tiveram lugar a 12 e 13 de Dezembro de 2005 (2ª e 3ª feira, nas instalações da EUREC, em Bruxelas. Obviamente, toda a gente tinha de estar presente, o que significou cheagar a esta cidade pelo menos «nos dias anteriores. No meu caso, cheguei a Bruxelas no domingo 11, depois de uma viagem directa de Madrid e um peuqno trjecto de comboio.

O vôo em si decorreu sem história. Mas ao chegar ao aeroporto, descobri que as minhas tinham ficado para trás. A descoberta decorreu enquanto esperava pelas malas: outros passageiros passavam pela área , recolhiam as suasmalas e seguiam, outras cintas de destribuição iam desribuindo os váriso pertences. Todavia, a minha malabrilhava pela sua ausência.

Não estava demasiado preocupado, pois tinha levado o meu computador na mão, assim como os CDs e os papeis adestribuir pelos vários membros do juri. Assim sendo, decidido a não me chatear demasiado, dirigi-me àzona de reclamação dos pertences, por indicação de outros passageiros, preenchi os respectivos papeis e fui-meembora do aeroporto.

O aeroporto fica a lguma distância do centro de Bruxelas, onde ténhamos alguns quartos reservados (mas não pagos)para passar a noite. Assim, tomi o comboio para centro, e depois de uma viagem sem história, cheguei à pousada de juventude de Bruxelas.

A pousada de Juventude de Bruxelas é um edifício de quatro andares, que está separado da parte mais de pousada eda parte de hotel. Vários dos alunos da EUREC já lá estavam: Tristan, Justin, Jeff, Stelios, Owenroe, Evelyn(que não conhecia personlmente), Carlos, e outros foram aparecendo durnate o resto da noite.

Mas, após as primeiras efusões, recordações e lembranças, quando me quis registar, tive a desagradável surpresade constantar que NÃO estava inscrito, apesar de ter mandado a minha confirmação muito a tempo! Decidido a não deixar que nada estragasse o bom humor daquela noite, consegui negociar com a pessoa da recepção (muito simpático)a ficar aquela noite, e no dia seguinte se veria, após ter protestado com a EUREC...

O resto da noite, ou pelo menos uma parte dela, passou-se a conversar no salão do hotel, a recordarmemórias e a comparar presentes situações de projecto e de vida pessoal e profissional. Quase todos saíram depois, para ir jantar fora, mas não me juntei a eles: ainda precisava de preparar a minha apresentação (praticamente por fazer). Fiqueia trabalhar umas horas (preparei uns 80% da apresentação nessa noite), consegui ainda encontrar e saudar mais doiscolegas (Jeróme e Marie) que chegaram bastante tarde nessa noite (e a Marie iria apresentar no dia seguinte!), e mais tarde fui-me deitar.

Como não tinha ainda a minha mala (algures ainda em trânsito entre Madrid e Bruxelas), tinha comprado à pressa uns apetrechos básicos de higiene na recepção da pousada, que utilisei sumariamente no dia seguinte. (Felizmente aminha apresentação estva marcada para o segundo dia, e não para o primeiro, pelo que a minha eventual má figura nãoseria muito notada). Depois segui para tomar o pequeno almoço, reunindo-me oa outros na recepção e na sala de comer.
Fomos de metro até à sede da EUREC, local das paresentações, cuja morada sabia, mas cuja localização exactadesconhecia. No caminho, e especialmente no local das apresntações, encontrei mais gente conhecida.

Em seguida foram as apresentações, almoço e outros que tais. Fomos ainda sair um pouco essa noite, mas não muito tempo, pois era necessário que acabasse a minha apresntação no hotel. voltámos ao hotel, fui posto noutro quarto,tive (por fim!) uma boa notícia ao saber que a minha mala tinha chegado ao hotel essa tarde, e depois passei umaparte da noite a trabalhar para o dia seguinte. No dia seguinte lavei-me, lavei-me e vesti-me com cuidado, certifiquei-me (pela enésima vez) que o computador, osCDs e os artigos em papel estavam todos presentes e prontos a serem levados, descia tomar o pequeno almoço, novamente encontrei amigos e conhecidos e novamente fomos de metros atá à EUREC.

A minha paresnetação foi a última do período da manhã. Devo dizer que, em geral, correu bem, embora a aprte das perguntas me tenha confundido um pouco.
No final, estava tudo acabado. Os últimos catorze meses tinham sido concluídos.
Fiquei aprovado (soube-o mais tarde por carta) com "bom", e uma percentagam apenas razoável.

Nota: esta descrição é extremamente sumária, ams não tenho mais tempo para escrever melhor. As horas seguintes, assim como dos dois dias depois disso, merecem uma crónica á parte - tinha tido a esperança que a pudese incluir aqui, mas não será possíve. espero fazer disso o grosso do próximo escrito.

*Natal e ano novo:
Passei o Natal em Lisboa, com os mus pais, e pude ver alguns amigos - os que tinham ficado nesses dias nessa cidade ao mesmo tempo do que eu. Foi bom, pois permitiu-me descansar das tensões associadas ao mestrado, e sobretudo à sua parte final.

Quanto ao ano novo, passei-o na capital espanhola. Especificamente, fui passar a noite á praça do Sol, onde se esprava uma celebração, e, por isso tinham sido montados enormes plataformas com os altiflantes. Pelas ruasviam-se dezenas de vendedores ambulantes com garrafas de champanhe, pequenos sacos de plástico com exactamentedoze passas, assim como outros que vendiam sacos de papelinhos para atirar, e outros pequnos objectos de consumopara festejos.
A Praça de Sol estava totalmente cheia. Para os que nunca estiveram em Madrid, tentarei fazer uma descrição:considerem uma praça de formato rectangular-oval, com 200 por 80 metros de dimensão, com um total de dez ruaspara o respectivo acesso. Agora considerem que essa praça estava totalmente apinhada de gente - milhares, ou talvez dezenas de milhares de pessoas tinham-se agrupado exactamente com a mesma idei que eu: ver o fogo de artifício que seria largado do tecto do edifício das Portas de Sol (creio que pertence à câmara) durante as badaladas da meia noite. Isso e também ver um globo que baixaria uns segundos antes, tocando o chão e iluminandoum cartaz com "feliz 2006" no momento em que passássemos de ano- a descrição dos cuidados com o mecanismo de relojoaria do dito dispositivo tinha sido relatado na maioria dos jornais dos dias anteriores.

Assim ,tentei aproximar-me da praça o mais possível, tarefa nada fácil dada a quantidade de gente que estava por todas as ruas. Acabei po desisir e deixe-me estar num local fora da praça, amas ainda assim com uma vistarazoável.

Os relógios corriam, as pessoas falavam e trocavam impressões, os vários mostradores iam-nos avisando quantosminutos faltavam para o momento fatídico... um minuto antes a música dos altifalantes desapareceu quase completamente, e os vários holofotes que giravam aleatoriamente sobre a multidão oncentraram-se nodito globo: expectativa... eà hora marcada, mais segundo menos segundo, o globo lá desceu,o painel acendeu-se, marcando o fim oficial (leia-se"oficial" como o único meio para dar a conhecer a milhares de pessoas um a informação que todos estavam à esperae podiam controlar pelos seus relógios) do ano 2006. Gritos, urros, assobios e as caracaterísiticas demosntrações emocionais de uma multidão...

Mas depois deste festejo, a parte pior estava pçara vir: com muitas pesssoas a quererem sair da praça depois do climaxda passagem de ano, e muitas pessoas a quererem entrar para se assossiarem à festa que estava acomeçar lá dentro,formaram-se várias correntes contrárias nas ruas, incluíndo onde estava: a densidade de pessoas aumentou espetacularmentee passou a ser quase impossível mover-se por si mesmo: eram-se arrastado pelos fluxos de genteque ia entrando ousaindo. Foram uns dez minutos nada agradáveis. Felizmente estava sozinho e não tinha propriamente problemas em ir ou para um lado ou para outro: para aqueles que estão a achar piada a esta descrição, faço-vos notar que haciam várias crianças na multidão, assim como pessoas mais frágeis, mais fracas, etc... Espero que não tenha havido feridos,mas pude ver em primeira mão os efeitos das pressões provocadas por grandes quantidades de gente num espaço pequeno, e os perigos de atropelamento, asfixia ou esmagamento.

Ainda se estão a rir? Então convido-os para virem a Madrid pela próxima passagem de ano.

*Tempo, clima e seca:
Este ano tem sido menos seco do que o habitual: houve chuva no inverno, para variar, e alguns dias intermitentesde Sol e calor nos primeiros quatro meses do ano. Cada vês que um dia mais seco aparecia pensava eu que o Inverno tinha acabado e que o detestável Verão de Madridtinha fito a sua aparição. felizmente que, até à dataem que escrevo estas linhas, tal situação ainda não se verificou: o ar mantem-se temperado pela ausência dedemasiada seca e calor.

Estes dias de chuva e temperaturas moderadas (para a época e o local) terão sem dúvida ajudado à prevenção daseca, assunto importante sempre que os meses de calor se aproximam. Há dois meses os níveis as reservas de águapara a região de Madrid estavam a 50%.

Actualmente, não creio que estejam mais do que dois terços do seu valor total. mesmo com mais alguns possíveis dias de chuva, não deverão chegar ao máximo. Apenas posso esperar que haja algum senso para o consumo de água (esperança irrealista?) nos próximos meses. Já existem avisos para esse efeito desde há semanas, na televisão e em cartazes publicitários.

*Burocracias em Espanha:
Todos os cidadãos estrangeiros residentes em Espanha têm a obrigação de se inscrever na "comissaria". Estaobrigação, no meu caso, foi real: o meu contrato é de autónomo, o que significa que tenho de pedir que mepaguem todos os meses, apresentando um recibo. Ora esse documento só é válido se levar o número fiscal. Esse número fiscal é o mesmo do que o número de indentidade.

Assim sendo, tive a obrigação e me inscrever a comissaria, assim como na "Hacienda" (Agencia Tributaria). Masera-me impossível inscrever na Hacienda sem o dito número (nem sequer me podia inscrever como o meu passaporte.

Assim, fui á comissaria, esperar algumas horas para ser atendido, num bicha de bastante tamanho e que se movia lentamente. Quando por fim chegou a minha vez, verifiquei que levava todos os papeis com exepção de fotografias...apenas uma muito rápida ida ao fotografista em frene me salvou (que tira fotografias cobrando o dobro do preçohabitual, obviamente...). Deixei os dcumentos e perguntei quanto tempo levava para ter o documento pronto:
Dois meses a dois meses e meio.

Após esta lacónica resposta, foi-me todavia acrescentado que poderia pedir o número do cartão (mas não o cartãoem si), que estaria pronto daí a um mês. Teria de me deslocar aquelas instalações par o conhecer.

Assim, durante um mês, fui vivendo sem grande esperança de poder adiantar qualquer borucracia relacionada com a minha situação legal naquele país, trabalhando e indo viver o melhor possível...

Um mês depois voltei a deslocar-me à comissaria, esperar horas na fila de fora, esperar mais oras na fila de dentro... Quando finalmente fui atendido, a empregada demonstrou um total desconhecimento de que tivesse que que fornecer o número. Quando lhe espliquei exactamente ao que vinha, e o que me haviam informado, foi-merespondido que teria tido que prencher o formulário XYZ-1138, anexo A3398235, em correio registado, entregá-lo ao Grande Chefe do Palácio de Moncloa, fazer uma peregrinação a Santiago de Compostela, demonstrar que sabia fazer o pino sobre uma mão enquanto recitava as leis da gavitação universal em latim, e ainda, provavelmente, passar alguma coisa valiosa debaixo do balcão (não existem mesas na repartição).

Piadas à parte, o que realmente aempregada me disse foi que, no meu pedido original para o cartão de residentedeveria ter colocado que queria receber o dito número (julguei que isso fosse automático). A única coisa que se podia fazer nessa altura era um pedido "de urgência" para ter o número num prazo de dez dias. No entanto,a minha situação não seria (teoricamente) uma que pudesse ser incluída na senso de ser "de urgência"... no finala empregada teve pena de mim, preencheu lá o formulário, carimbo-o e mandou-me voltar daí a duas semanas.

E a conclusão desta odisseia foi que, afinal, não tiv de voltar, e que provavelmente não teria tido que voltar: o número veio numa bonita carta a casa, passados três dias, provavlmente devido ao papel que não tinha entregado na primeira vez que fiz a inscrição...

Esta história é-vos familiar? Suponho, que, no fim de contas, qualquer borucracia de qualquer país apresente estespequenos precalços de vez em quando, independentemente da pessoa, país, cultura, etc... Deixo que a vossa experiênciade vida julgue este episódio por si mesmo.
Com o número do cartão de residente foi muito mais fácil inscrever-me na segurança social, direcção de impostos, emais tarde no centro de saúde da área, assim como regularizar os pagamentos. Quando o cartão chegou, mais fácil ainda se tornou cada uma destas coisas, assim como a vida de todos os dias.

Assim é que agora sou residente estrangeiro em Espanha. O facto de ser da UE não me elimina o facto e ser estrangeiro, apenas facilita (hum...) o pedido de cartão.

*Vários:
Neve em Madrid:Nevou na mesma noite em Madrid e Lisboa - o acontecimento que não se reproduzia desde há mais de cinquenta anos,segundo o jornal PÚBLICO. Também Madrid ficou coberto por uma pequena camada branca. Nevou também na noite seguinte, embora com menos intensidade.

Comércio:Em Espanha, em vários dos establecimentos comerciais pequenos onde tenho io efectuar as minhas compras decomida (isto é, o talho e frutaria), existe o hábito de não se formar uma bicha, mas antes os recén-chegadosperguntam ao grupo de pessoas que se encontram junto ao balcão "Quem é o último?". A resposta da últimapessoa imediatamente informa o recém-chegado a seguir a quem ele/ela será atendido/a, e informa ao ex-últimoque já não é o último, pelo que não tem mais de se preocupar em reponder a esa pergunta a futuros recém-chegados.

Prendas:No dia 23 de Abril é o costume oferecer uma flor e um livro a pessoas conhecidas (é possível que este costumetenha também a ver com o ser o penúltimo fim de semana de Abril, ou o fim de semana a sequig à Páscoa - não indaguei suficientemente).

Mercado do Rasto: O mercado do Rasto está aberto aos domingos, na zona de Embajadores, um dos bairros de Madrid,das dez da manhã até ás três da tarde, sensivelmente. Os comerciantes autorizados montam nessa zona as suas tendassobretudo em Plaza de Coscorro, Plaza de la Cebolada e Calle de la Ribeira de Curtidores. Obviamente, este mercado atrai toda a gente, e é um pretexto para sair, mais do que para fazer compras. Paralelamente ao mercadonormal, exitem, nas ruas transversais mais estreitas e discretas, oportunidades para qualquer pessoa colocar um pano no chão e vender as suas velhas quinquilharias. no entanto, devo precisar que o número destas pessoas é muito mais reduzido que o seu equivalente na feira da ladra em Lisboa.

O que vedem os comerciantes profissionais nesta feira? Pois principalmente roupa. Mas também chapéus, óculos desol; bolsas, carteiras e outros objectos de couro; cassetes, CDs e DVDs de música em segunda mão; facas, canivetes e outros artigos de corte (até espadas japonesas!), e uma miríade de outros variados objectos de qualidade e necessidade subjectiva. Para além dos vendedores, músicos e artistas aproveitam o afluxo de gentepara poder tentar vender a sua música na rua.

A rua onde este mercado se forma tem uma grande quantidade de marceneiros e lojas de artigos de desportoao ar livre (não me perguntem porquê). Se tiverem de comprar mobília, esta é a rua onde vs aconselharia ir.As lojas têm também algumas peças de antiquário, para os interessados. Quanto às lojas de artigos de desporto,elas concentram-se em botas de montanha e escalada, mochilas, ,bolsas e sacos, cantis, artigos gerias de escalada (ordas, etc.). As mais abastadas têm também esquis e outro equipamento específico para neve, tendas,sacos-cama e outros... Também vos aconselho esta rua se procurarem este tipo de equipamento nesta cidade.

*Final:
Sete meses sem notícias é um período longo segundo qualquer padrão. Estando fora, e tendo-me habituado a escreverlongas messagens, em vez de pequenas notícias (uma fonte de amigável desacordo entre mim e pelo menos mais uma pessoa), armar-se de paciência, meios, vontade e inspiração para escrever uma crónica que relatasseminimamente os acontecimentos mais importantes desse período é difícil. Daí a minha demora e relutância em dar notícias, com exepção a algumas pessoas. Essa relutância foi algo contrabalançada pelas poucas honrosas exepções ao quase contínuo silêncio da maioria dos destinatários.

Não foram relatados todos os acontecimentos importantes do que me aconteceu, e do que é interessante relatar sobre a vida em Espanha. Mas isso obrigaria a mais tempo de espera, o que não quero que aconteça. Outrosacontecimentos ficarão para futuras crónicas.

Haverá no futuro notícias mais frequntes? Pois isso dependerá sobretudo de como me correr a vida aqui, e se houver notícias merecedoras de nota. Por outro lado, não acredito que a vida da maioria das pessoas seja tão faltade emoção que não possam de vez em quando enviar umas mensagens.

Assim, espero alguns comentários sobre a presente mensagem.
João Paulo.

PS: sim, tenho fotografias, mas estão todas em formato de papel, pelo que não creio poder disponibilizá-lasfacilmente. Todavia, qualquer pessoa que queira que eu tenha e tire fotografias em formato digital tem desdejá toda a liberdade para me comprar e enviar uma máquina fotográfica desse tipo. A minha morada está abaixo.

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